"Seja clube como todos nós/ Ele é meu, ele é seu/ É do Mickey Mouse".
Qualquer pessoa com idade acima de 30 anos, se lembra do tema de abertura do
Clube do Mickey, um programa divertido e cheio de atrações para crianças de todas as idades.
Era apresentado por um grupo de adolescentes sorridentes, conhecidos por "Mini-Sócios" (Mouseketeers no original), que contavam histórias e curiosidades gerais, apresentadas conforme o dia da semana. Era uma verdadeira aula para as crianças. Como exemplo, podemos citar alguns temas abordados: matemática, foguetes e linguagem por sinais. Eram exibidos desenhos animados do Pateta, Pato Donald, Mickey, seqüências de desenhos clássicos de longa-metragem, como "Peter Pan", "Cinderela", "101 Dálmatas", "A Espada Era a Lei", "Dumbo", "Pinóquio", "Aristogatas", "Mogli", entre outros.
Na verdade, o programa era uma nova versão do mesmo show apresentado nos Estados Unidos nos anos 50, que não foi exibido no Brasil e só ficamos conhecendo o que para eles foi "O Novo Clube do Mickey".
A Disney dos anos 50
Nos anos 50, o ratinho Mickey, passou a enfrentar vários problemas. O primeiro foi a morte de seu principal animador, Fred Moore, em 1952. Mais adiante, os estúdios Disney chegaram à conclusão de que era melhor investir em longas-metragem ao invés de desenhos de curta-duração como os de Mickey. Mesmo assim, alguns curtas de Mickey e sua turma ainda foram produzidos.
Com a popularidade da televisão, a indústria começou a produzir desenhos animados muito mais baratos para a TV, o que desmotivou os estúdios a produzirem curtas para cinema. Além disso, Mickey era um personagem tão "amigável", que ficou difícil criar novas idéias para seus curtas-animados. Ele estava ficando entediante aos olhos do público, e como se pode notar, muitos dos curtas de Mickey dos anos 50, têm a participação de Pluto.
Mickey acabou ganhando uma nova reforma visual. Ganhou um novo guarda-roupa (mais moderno) para viver suas novas aventuras. Esse novo visual foi utilizado nas décadas de 50, 60 e 80.
O último curta-animado de Mickey, "The Simple Things", foi dirigido por Charles Nichols e lançado em 18 de abril de 1953. Apesar do estúdio ter parado com a produção de curtas, Mickey ganhou um novo lar no show de televisão O Clube do Mickey. Foi um sucesso de audiência e de vendas (os famosos chapéuzinhos de Mickey viraram sensação). Ver o Clube se tornou a única maneira de ver Mickey em novas animações. Eram nas curtas vinhetas produzidas pelo estúdio para o programa, feitas de forma barateada.
O primeiro Clube do Mickey

O Mickey Mouse Club foi um marcante programa infantil da TV americana nos anos 50. Levado ao ar pela Rede ABC, o show diário estreou em 1955 e estendeu-se até 1959, apresentando uma variedade de entretenimento: dança, canto, astros de cinema e televisão, desenhos clássicos Disney, séries e um grupo de talentosas crianças que se tornaram uma sensação. Eram os "Mouseketeers", liderados pelo ator adulto Jimmy Dodd. Sua marca registrada era o chapéu de orelhas de Mickey, almejado por todas as crianças, como já dito. O destaque dos "Mouseketeers" era a jovem Annette Funicello, que ainda teria sua própria série dentro do programa. As séries apresentadas eram The Hardy Boys e Spin and Marty, onde o jovem "Mouseketter" Tim Considine estrelou ambas e se tornou o "Mouseketeer Honorário" do grupo de crianças.
Não foi exibido no Brasil. O primeiro programa da Disney exibido por aqui foi Disneylândia.
O Novo Clube do Mickey
As mesmas letras, mas uma batida diferente. Já na abertura estava claro que não era o Clube do Mickey original. Lançado em janeiro de 1977 numa grande campanha publicitária da Disney, o Novo Clube do Mickey, ao ritmo disco era atualizado e próprio para as crianças dos anos 70.
Os antigos "Mouseketeers" haviam crescido, deixando espaço para os novos: Pop, Scott, Nita, Mindy, Angel, Alison, Shawntee, Kelly, Julie, Todd, Lisa e Curtis. Os chapéus de orelhas eram os mesmos, mas agora os "Mouseketeers" estavam uniformizados.
No Brasil, como já dito, os "Mouseketeers" ficaram conhecidos por "Mini-Sócios". A escolha das crianças foi feita em nove cidades e em nove dias (15 crianças por hora eram testadas em oito horas diárias de trabalho). Os 12 "Mini-Sócios" escolhidos: sete meninas e cinco meninos com idades entre 8 e 14 anos. As crianças tiveram aulas de canto, dança, interpretação e matérias escolares regulares.
Mas havia uma grande diferença entre o Clube do Mickey dos anos 50 e dos 70: a mistura étnica dos "Mini-Sócios". Foram escolhidos dois negros (Pop e Shawnte), um descendente oriental (Curtis), um descendente mexicano (Angel), uma menina de descendência cherokee (Lisa), uma de descendência polonesa (Julie) e uma judia (Mindy).
As novas crianças ofereciam uma "bagagem" cultural mais ampla do que os "Mouseketeers" originais, mas não eram diferentes de seus antecessores, em termos de talento, entusiasmo e alegria.
O programa diário oferecia um novo tema para cada dia da semana. Assim, as segundas era o "Dia do Quem, qual, quando como, onde, por quê?" (um dia de pesquisas sobre variados temas). Na terça, o "Dia de Vamos Lá", com viagens pelo mundo. Na quarta, o "Dia da Surpresa", que trazia o tema musical "Surpresa, surpresa, hoje é o dia da surpresa/tudo de repente... pode acontecer!". Na quinta, era o "Dia da Descoberta" e na sexta o " Dia do Show".
Como no Clube do Mickey original, o novo programa incluía uma variedade de mini-segmentos. Desde "shorts" clássicos da Disney, até aventuras em série, tudo baseado no tema do dia.
Foram produzidos 130 episódios em duas temporadas. O sucesso foi muito grande. Em áreas onde o programa chegasse, haviam shows e venda de discos e revistas em quadrinhos. Infelizmente, os custos de produção estavam altos, e a Disney (interessada em lançar seu Disney Channel) resolveu cancelar uma terceira temporada.
Novo
Entre 1989 e 1994, o Disney Channel lançou o The All-New Mickey Mouse Club, de onde saíram alguns "Mouseketeers" que seriam futuros superstars como Britney Spears, Christina Aguilera, Keri Russell, JC Chasez e Justin Timberlake, do grupo N-Sync. Apesar da ausência dos chapéus com orelhas, esse novo show foi um sucesso na TV americana, criando uma nova geração de fãs.
No Brasil

A versão anos 50 do Clube do Mickey não foi exibida no Brasil, mas a versão anos 70 fez muito sucesso por aqui. Estreou dia 11 de setembro de 1978 na TV Tupi, fechando o Clube do Capitão Aza entre 17 e 18h. Antes da estréia, a Tupi teve um cuidado especial com a dublagem, que foi da BKS. Teve que ser refeita várias vezes até ser aprovada pela direção da emissora, que tinha como base a dublagem do Muppet Show. Com a falência da TV Tupi, o "Clube" ficou fora do ar por alguns anos, até voltar pela TVS (SBT) em 1985.
A extrema competência da BKS (antiga AIC-SP), fez com que as traduções das canções do programa ficassem gravadas em nossas mentes até hoje. Não foram traduzidas ao pé da letra, e sim adaptadas a nossa língua.
Mouseketeers